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Publicado em: 12/06/2026

Atualizado em: 12/06/2026

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Precatórios do Amazonas: Estado pede para pagar só no fim de 2026 — e o dinheiro deve ficar para 2027

O Amazonas pediu para reprogramar os pagamentos de precatórios de 2026 para setembro-dezembro, alegando o calendário eleitoral. Com o processamento do TJAM depois do depósito, o dinheiro deve chegar aos credores em 2027 — e a ordem de 2027 desloca para 2028. Entenda o calendário e o que fazer.

Por Leonard da Rosa

Leitura rápida

  • O plano de pagamentos de 2026 do Amazonas, homologado no TJAM, previa depósitos de maio a novembro. Em 6 de maio de 2026, a Procuradoria do Estado pediu a reprogramação para setembro a dezembro, alegando as restrições do calendário eleitoral.
  • O plano soma R$ 240,6 milhões para 1.305 precatórios — preferenciais e alimentares entre setembro e novembro, e os primeiros comuns em dezembro.
  • Como depois do depósito ainda há o processamento no tribunal (cálculos, descontos e alvarás), quem está no plano de 2026 deve se preparar para ver o dinheiro em 2027 — e quem é da ordem de 2027, para 2028.

Se você tem um precatório contra o Estado do Amazonas, o ano de 2026 começou com uma boa notícia — um plano de pagamentos homologado, com calendário definido — e ganhou, em maio, uma reviravolta que muda o seu planejamento. Este artigo explica o que aconteceu, com base no processo administrativo público que corre no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), e o que isso significa na prática para o seu bolso.

Palácio da Justiça de Manaus, marco histórico do Judiciário do Amazonas

Palácio da Justiça, em Manaus, marco histórico do Judiciário amazonense. Foto: Ana Claudia Jatahy/MTur (domínio público).

O que aconteceu

O Amazonas está no regime especial de pagamento de precatórios e tem um plano anual homologado pelo TJAM, dentro do processo administrativo nº 0600005-55.2024.8.04.1000 — que qualquer pessoa pode consultar. O plano de 2026 previa depósitos distribuídos de maio a novembro.

Em 6 de maio de 2026, porém, a Procuradoria-Geral do Estado protocolou um pedido de reprogramação: concentrar os depósitos entre setembro e dezembro de 2026. A justificativa apresentada foi a das restrições do calendário eleitoral. Na data em que consultamos os autos, o pedido estava concluso para decisão.

O calendário proposto na revisão é este:

Mês (2026)Quem recebe o depósitoPrecatóriosValor
SetembroPreferenciais + alimentares (posições 1 a 218)390R$ 49,1 mi
OutubroAlimentares (posições 219 a 728)458R$ 64,8 mi
NovembroAlimentares (posições 729 a 1.219)451R$ 70,7 mi
DezembroComuns (posições 1 a 6)6R$ 56,1 mi
Total1.305R$ 240,6 mi

Repare: o valor total não diminuiu. O que muda é quando o dinheiro entra — e isso, para o credor, muda quase tudo.

Depósito não é dinheiro na conta

Aqui está o ponto que mais gera frustração: quando o Estado deposita, o dinheiro vai para uma conta administrada pelo tribunal, não para a sua.

Depois do depósito, o TJAM ainda precisa processar cada precatório: conferir e atualizar os cálculos, aplicar retenções (imposto de renda, previdência, honorários), publicar as intimações e expedir os alvarás de levantamento. Esse processamento leva semanas — às vezes meses — especialmente quando centenas de precatórios são depositados de uma vez.

Com os depósitos concentrados em setembro a dezembro, a consequência prática é direta: os levantamentos devem acontecer, em sua maioria, ao longo do primeiro semestre de 2027. Quem contava com o dinheiro em 2026 deve recalibrar a expectativa.

O efeito cascata na fila

O deslocamento não para em 2026:

  • Quem está no plano de 2026 (as 1.305 posições da tabela acima): depósito no fim de 2026, dinheiro na conta provavelmente em 2027.
  • Quem é da ordem de 2027: o ciclo seguinte só começa depois que o de 2026 termina. O cenário conservador é trabalhar com recebimento por volta de meados de 2028.
  • E assim por diante — cada ordem tende a herdar o atraso da anterior enquanto o ritmo não muda.

Para dimensionar a fila: na fotografia oficial de maio de 2026, havia 1.504 precatórios aguardando pagamento, somando R$ 613,7 milhões (além de R$ 737,8 milhões suspensos por discussões judiciais). A capacidade anual de referência do Estado, pela EC 136/2025, é de 1% da receita corrente líquida — cerca de R$ 285,7 milhões por ano. Ou seja: só o que já está na fila equivale a mais de dois anos da capacidade anual de pagamento.

Por que isso mexe no valor do seu precatório

O mercado que compra precatórios precifica o tempo. Quando o calendário desliza — depósito no fim do ano, levantamento no ano seguinte, ordem seguinte empurrada —, o prazo esperado de recebimento aumenta para todo mundo.

E, desde a EC 136/2025, esperar rende menos: a correção dos precatórios passou a ser pela inflação (IPCA), com juros simples de 2% ao ano em caso de atraso — bem abaixo da Selic que valia antes.

Prazo maior + correção menor = valor presente menor. É por isso que as propostas de compra por precatórios do Amazonas tendem a refletir esse novo calendário — não é má vontade de quem compra, é a matemática do tempo.

O que você pode fazer agora

  • Localize sua posição. O plano de 2026 lista os precatórios por posição na ordem cronológica (veja a tabela acima). O processo nº 0600005-55.2024.8.04.1000 e a Central de Precatórios do TJAM são públicos.
  • Verifique se você tem direito a preferência. Pessoas com 60 anos ou mais, doença grave ou deficiência têm prioridade constitucional — no plano revisado, os preferenciais estão na primeira leva (setembro). O pedido é feito no próprio precatório.
  • Mantenha dados bancários e cadastro em ordem no processo, para não perder tempo quando o alvará sair.
  • Se o dinheiro fizer falta antes de 2027, compare com calma as propostas de antecipação com o calendário real — incluindo o processamento pós-depósito — e decida com números, não com promessas.

Perguntas frequentes

Quando o Estado do Amazonas vai pagar os precatórios de 2026?

O plano homologado previa depósitos de maio a novembro de 2026. Em 6 de maio, a PGE pediu a reprogramação para setembro a dezembro, alegando restrições do calendário eleitoral. Com depósitos no fim do ano e o processamento do TJAM na sequência, os levantamentos devem ocorrer majoritariamente em 2027.

O Estado depositou. Eu recebo na hora?

Não. O depósito vai para conta administrada pelo tribunal, que ainda confere cálculos, aplica retenções e expede os alvarás. Esse processamento costuma levar semanas ou meses — por isso depósitos de setembro a dezembro tendem a virar dinheiro na conta apenas em 2027.

Estou na ordem de 2027 do Amazonas. Quando devo receber?

O ciclo de 2027 só anda depois do plano de 2026. Com o deslocamento atual, o cenário conservador é trabalhar com recebimento por volta de meados de 2028 — sujeito à publicação da lista oficial e ao caso concreto.

Quem recebe primeiro no plano de 2026?

Pela proposta de revisão: preferenciais (idosos, doença grave, deficiência) e alimentares das posições 1 a 218 em setembro; alimentares 219 a 728 em outubro; alimentares 729 a 1.219 em novembro; e os seis primeiros comuns em dezembro.

Vale a pena vender meu precatório do Amazonas?

Depende da sua necessidade de caixa. O desconto de uma antecipação reflete o tempo até o recebimento real (incluindo o processamento pós-depósito) e o risco de novos deslocamentos. Compare propostas com o calendário na mesa antes de decidir.

Fontes oficiais

  • Processo administrativo nº 0600005-55.2024.8.04.1000 — TJAM, Presidência/Central de Precatórios (plano de pagamentos de 2026 e pedido de reprogramação da PGE-AM de 06/05/2026).
  • Portaria TJAM nº 442/2026 (homologação do plano de pagamentos).
  • Emenda Constitucional nº 136/2025 (alterações no art. 100 da Constituição Federal e no ADCT).
  • Receita Corrente Líquida do Estado do Amazonas — SICONFI/Tesouro Nacional.

Perguntas frequentes

Quando o Estado do Amazonas vai pagar os precatórios de 2026?
O plano homologado no TJAM previa depósitos de maio a novembro de 2026, mas em 6 de maio a PGE pediu a reprogramação para setembro a dezembro, alegando restrições do calendário eleitoral. Com depósitos no fim do ano e o processamento do tribunal na sequência, os levantamentos devem ocorrer majoritariamente em 2027.
O Estado depositou o dinheiro do precatório. Eu recebo na hora?
Não. O depósito vai para conta administrada pelo tribunal, que ainda confere os cálculos, aplica retenções e expede os alvarás de levantamento. Esse processamento costuma levar semanas ou meses, especialmente com centenas de precatórios depositados de uma vez.
Estou na ordem de 2027 do Amazonas. Quando devo receber?
O ciclo de 2027 só anda depois do plano de 2026, que foi deslocado para o fim do ano. O cenário conservador é trabalhar com recebimento por volta de meados de 2028, sujeito à publicação da lista oficial e ao caso concreto.
Quem recebe primeiro no plano de 2026 do Amazonas?
Pela proposta de revisão: preferenciais (idosos, doença grave, deficiência) e alimentares das posições 1 a 218 em setembro; alimentares 219 a 728 em outubro; alimentares 729 a 1.219 em novembro; e os seis primeiros comuns em dezembro — total de 1.305 precatórios e R$ 240,6 milhões.
Vale a pena vender meu precatório do Amazonas?
Depende da sua necessidade de caixa. O desconto da antecipação reflete o tempo até o recebimento real — incluindo o processamento pós-depósito — e o risco de novos deslocamentos de calendário. Compare propostas com os prazos reais na mesa.
Leonard da Rosa, Diretor Executivo de Negócios Financeiros e Tecnologia na Lummen

Assinado por

Leonard da Rosa

Diretor Executivo de Negócios Financeiros e Tecnologia na Lummen

MBA Executivo em Finanças pelo Insper, lidera na Lummen a modelagem financeira e a arquitetura tecnológica aplicadas a operações com ativos judiciais. Atua no desenho de sistemas e processos que ampliam rigor analítico, escala e previsibilidade na gestão desses ativos.

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