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Publicado em: 05/03/2026

Atualizado em: 10/06/2026

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Precatórios em Alagoas (2022-2026): análise temporal, atrasos e reprecificação após a EC 136/2025

Em Alagoas, 2026 melhora frente a 2025, mas o consolidado monitorado ainda roda acima de 1% da RCL — e a ordem de 2027, publicada em maio de 2026 com R$ 374 milhões, voltou a esticar os prazos.

Por Leonard da Rosa

Leitura rápida

  • Em Alagoas, 2026 melhora em relação a 2025, mas o consolidado dos três tribunais ainda roda acima de 1% da RCL.
  • A leitura mais benigna vale para a série comparável do TJAL, não para a fotografia consolidada do Estado.
  • Atualização (jun/2026): a ordem de 2027 foi publicada com 5.220 precatórios e R$ 374,0 mi — muito acima da capacidade anual de aporte, deslocando o cenário-base de levantamento para 2028-2029.
  • Para investimento, a tese continua interessante, mas ainda exige prêmio de tempo e underwriting seletivo.

Em Alagoas, a atualização de dados realizada em 13/03/2026, incorporada nesta revisão editorial, muda um ponto central da leitura. Em 2026 houve melhora em relação ao pico de pressão de 2025, mas o consolidado dos três tribunais ainda não voltou a ficar abaixo do referencial constitucional de 1% da RCL. Essa leitura mais benigna permanece válida apenas para a série comparável do TJAL.

Isso não enfraquece a tese econômica do ativo. Ao contrário: a refina. O caso alagoano continua interessante para o investidor, mas exige separar com nitidez três planos de análise: a série histórica de regularização no TJAL, a fotografia consolidada de TJAL, TRT19 e TRF5 e a perspectiva de formação da ordem de 2027 após a redução da janela promovida pela EC 136/2025.

Para preservar comparabilidade, a régua histórica de atraso continua concentrada no TJAL, onde se encontra o bloco dominante do passivo estadual. Já a fotografia consolidada de 2025 e 2026 passa a refletir a consolidação pública mais recente reunida pela Lummen em suas bases de monitoramento das entidades, somando TJAL, TRF5, TRT19, SICONFI e peças orçamentárias públicas.

Série histórica de regularização no TJAL

OrçamentoValor do orçamento no TJAL (base comparável)Marco de regularização no TJALRegularizou no exercício seguinte?Atraso material (dias)
2022R$ 82.825.248,5510/02/2023Sim41
2023R$ 83.205.114,6901/03/2024Sim61
2024R$ 112.318.780,8626/02/2025Sim57
2025R$ 213.761.985,32Plano homologado em 18/12/2025 para jan-jun/2026 (1ª e 2ª parcelas certificadas)Sim (em curso)5 a 156 (conforme parcela)

Entre 2022 e 2024, a leitura ainda é a de atraso curto. O orçamento de 2022 foi regularizado em 10/02/2023; o de 2023, em 01/03/2024; o de 2024, em 26/02/2025. São 41, 61 e 57 dias de atraso material. Isso importa para preço, porque tempo custa, mas ainda não basta para caracterizar ruptura mais profunda do perfil de pagamento. O investidor, nesse ambiente, precifica sobretudo fricção de calendário e prudência operacional.

O ponto de inflexão é 2025. Em 18/12/2025, o TJAL reconhece a aplicação da EC 136/2025 e homologa plano para pagamento, em 2026, dos precatórios do orçamento de 2025 inscritos no próprio tribunal. O cronograma foi repartido em seis parcelas mensais, de janeiro a junho de 2026, com certidões de 06/01/2026 e 20/02/2026 registrando o aporte da primeira e da segunda parcelas. Em termos econômicos, o que esse movimento mostra é simples: uma obrigação que, em lógica anterior, seria lida como pertencente ao exercício de 2025 passa a ser carregada para o exercício seguinte no bloco dominante do passivo estadual.

Fotografia consolidada de 2025 e 2026

A atualização de hoje passa a usar, para 2025 e 2026, o consolidado monitorado dos três tribunais. Nessa fotografia, 2025 somou R$ 255.179.471,99 e 2026 soma R$ 221.135.641,69. Há melhora relevante de um ano para o outro, mas não normalização plena.

AnoTJALTRT19TRF5Consolidado dos três tribunais1% da RCL de referênciaUso do referencial
2025R$ 226.310.328,96R$ 20.698.283,15R$ 8.170.859,88R$ 255.179.471,99R$ 169.376.289,81150,66%
2026R$ 193.072.762,35R$ 19.625.290,24R$ 8.437.589,10R$ 221.135.641,69R$ 189.672.805,37116,59%

Em 2025, o TJAL respondeu por 88,69% do consolidado, o TRT19 por 8,11% e o TRF5 por 3,20%. Em 2026, a concentração no TJAL segue dominante, em 87,31%, com TRT19 em 8,87% e TRF5 em 3,82%. O dado decisivo, porém, não é apenas a participação relativa. É o fato de que o uso do referencial constitucional recua de 150,66% para 116,59%, melhora 34,07 pontos percentuais, mas permanece acima de 1% da RCL.

Essa melhora é importante porque aproxima o consolidado do espaço formal de pagamento. A rubrica específica de precatórios na LOA 2026 foi fixada em R$ 190,0 milhões, praticamente alinhada ao referencial constitucional de R$ 189,67 milhões. Ainda assim, o consolidado monitorado de R$ 221,14 milhões continua acima desses dois parâmetros. A consequência prática é direta: 2026 está melhor que 2025, mas o tempo segue no centro da precificação.

Série comparável do TJAL versus RCL

É exatamente aqui que a distinção metodológica importa. Na série comparável do TJAL, 2026 de fato aparece abaixo do referencial de 1% da RCL. Mas essa é uma leitura do bloco principal, não do consolidado estadual. A revisão de hoje corrige essa mistura de planos e deixa claro que a melhora existe, porém em intensidade menor do que a formulação anterior sugeria.

Ano (ordem)RCL ref. (ano-1)1% da RCLAlimentar (qtd/valor)Comum (qtd/valor)Total no ano (qtd/valor)Uso do teto de 1%
2020R$ 8.559.007.201,96R$ 85.590.072,02193 / R$ 27.895.057,7613 / R$ 4.406.753,59206 / R$ 32.301.811,3537,74%
2021R$ 10.059.495.938,65R$ 100.594.959,39279 / R$ 42.311.646,9522 / R$ 12.730.016,29301 / R$ 55.041.663,2454,72%
2022R$ 12.528.914.436,01R$ 125.289.144,36540 / R$ 57.609.964,6649 / R$ 10.460.383,99589 / R$ 68.070.348,6554,33%
2023R$ 13.177.911.886,17R$ 131.779.118,86553 / R$ 58.050.134,8139 / R$ 17.239.478,97592 / R$ 75.289.613,7857,13%
2024R$ 14.465.051.819,55R$ 144.650.518,20700 / R$ 62.831.118,7636 / R$ 41.372.568,04736 / R$ 104.203.686,8072,04%
2025R$ 16.937.628.981,20R$ 169.376.289,811.266 / R$ 108.891.490,0067 / R$ 53.542.951,601.333 / R$ 162.434.441,6095,90%
2026R$ 18.967.280.537,43R$ 189.672.805,371.731 / R$ 121.396.279,59193 / R$ 17.928.338,861.924 / R$ 139.324.618,4573,46%

Gráfico da série comparável do TJAL (barra empilhada real, 100% = referencial de 1% da RCL):

Risco de pagamento de precatórios em Alagoas (TJAL), com composição alimentar, comum e folga até 1% da RCL

Na prática, esse é o ponto que mais importa para underwriting. A série comparável do TJAL mostra um bloco principal que já não está pressionado como em 2025. O consolidado dos três tribunais, porém, ainda exige prêmio de tempo. O Estado não deve ser lido nem como caso de ruptura do fluxo, nem como caso de normalização plena. Deve ser lido como caso de melhora relativa com seletividade obrigatória.

O que a EC 136/2025 mudou

É aqui que a EC 136/2025 deixa de ser texto normativo e se torna variável de preço. A emenda alterou o art. 100, § 5º, tornando o marco temporal de apresentação mais sensível para a entrada no orçamento; introduziu, nos §§ 23 a 30 do art. 100, limites anuais por faixa de RCL e estoque em mora, ao lado de mecanismos que ampliam a funcionalidade econômica dos acordos diretos; e modificou o ADCT, nos §§ 16 e 16-A do art. 97, para adotar IPCA mais juros simples de 2% ao ano, limitados pela Selic, para Estados, Distrito Federal e Municípios.

Na prática, isso mexe exatamente nas três variáveis que estruturam o valuation do crédito: tempo esperado de caixa, remuneração da espera e capacidade de barganha do devedor. Quando o fluxo anual encosta no limite aplicável da RCL, a duration deixa de ser mera inferência e passa a ter âncora institucional mais clara. Quando a remuneração da espera perde densidade, o custo de carregar o ativo muda. E quando acordos com renúncia passam a coexistir com maior compressão temporal do fluxo, o parâmetro de haircut exigido pelo mercado também se desloca.

Atualização (junho/2026): a ordem de 2027 veio muito maior do que a janela sugeria

Na fotografia de março de 2026, a expectativa era de que a janela encurtada pela EC 136/2025 (precatórios apresentados entre 03/04/2025 e 01/02/2026) contivesse a pressão de entrada sobre a OC 2027. O dado oficial desmentiu essa hipótese: em 28/05/2026, o TJAL encaminhou ao Executivo a relação da ordem de 2027 com 5.220 precatórios e valor atualizado de R$ 374,0 milhões — contra 1.585 precatórios e R$ 154,3 milhões na ordem de 2026.

O efeito prático é direto. A lista de 2027 equivale, sozinha, a cerca de dois exercícios do aporte mínimo de 1% da RCL. Com a fila ainda operando com defasagem de aproximadamente um ano — o orçamento de 2025 foi quitado em seis parcelas no primeiro semestre de 2026 —, o cenário-base de levantamento da OC 2027 desloca-se para 2028, com cauda possível em 2029; a OC 2028 tende a herdar o mesmo deslocamento (2029-2030). Para underwriting, isso reforça o prêmio temporal e desautoriza projeções ancoradas no calendário nominal da ordem.

Para credores pessoa física, publicamos uma leitura didática dos mesmos dados públicos: Precatórios de Alagoas: a lista de 2027 veio muito maior — e o pagamento pode ficar para 2028 ou 2029.

Conclusão

A leitura hoje mais precisa sobre Alagoas é esta: 2025 foi o ponto de maior compressão, 2026 melhora de forma relevante, mas ainda permanece acima de 1% da RCL no consolidado monitorado — e a ordem de 2027, publicada em maio de 2026 com R$ 374,0 milhões, confirmou pressão de entrada muito acima da capacidade anual de aporte, deslocando o cenário-base de levantamento para 2028-2029. Em termos de investimento, isso mantém o ativo interessante, mas exige underwriting mais seletivo e precificação ainda mais disciplinada do tempo.

Em modelos conservadores, continua fazendo sentido trabalhar com prêmio temporal adicional para levantamento, sobretudo fora da frente de pagamento. O erro agora não é ser defensivo demais; é tratar Alagoas como se já tivesse voltado a uma normalidade que os dados públicos mais recentes ainda não mostram por inteiro.

Fontes primárias

Lummen

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Perguntas frequentes

A ordem de 2027 de Alagoas será paga em 2027?
É improvável. A relação enviada ao Executivo em maio de 2026 soma R$ 374 milhões em 5.220 precatórios — cerca de dois exercícios do aporte mínimo de 1% da RCL —, deslocando o cenário-base de levantamento para 2028, com cauda possível em 2029.
O que aconteceu com os precatórios de Alagoas que deveriam ser pagos em 2025?
No bloco principal (TJAL), o pagamento do orçamento de 2025 foi homologado para 2026 em seis parcelas mensais.
2026 já ficou abaixo de 1% da RCL em Alagoas?
No consolidado monitorado dos três tribunais, não. A leitura abaixo de 1% vale apenas para a série comparável do TJAL.
Por que o estudo foca o TJAL se a dívida envolve mais tribunais?
Porque o próprio processo registra concentração de aproximadamente 90% do volume no TJAL. Os valores consolidados de TRF5 e TRT19 são tratados em bloco separado.
Como a EC 136/2025 afeta o risco de prazo em Alagoas?
A emenda passou a vincular o pagamento a faixas da RCL e reforçou a possibilidade de alongamento do fluxo, o que altera a duração esperada e o preço dos ativos.
Leonard da Rosa, Diretor Executivo de Negócios Financeiros e Tecnologia na Lummen

Assinado por

Leonard da Rosa

Diretor Executivo de Negócios Financeiros e Tecnologia na Lummen

MBA Executivo em Finanças pelo Insper, lidera na Lummen a modelagem financeira e a arquitetura tecnológica aplicadas a operações com ativos judiciais. Atua no desenho de sistemas e processos que ampliam rigor analítico, escala e previsibilidade na gestão desses ativos.