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Publicado em: 23/06/2026

Atualizado em: 23/06/2026

Precatórios de Pernambuco: quando você vai receber — e por que a espera (com ou sem prioridade) está custando caro

Tem precatório do Estado de Pernambuco, com ou sem prioridade? Entenda, em linguagem simples, por que o ano da sua ordem é o que mais importa, por que as ordens de 2027 e 2028 só recebem em 2028–2029, e por que esperar, hoje, sai caro.

Por Leonard da Rosa

Leitura rápida

  • O que decide quando você recebe não é só ter prioridade — é o ano da sua ordem cronológica. As ordens de 2025 e 2026 estão sendo pagas agora; as de 2027 e 2028 ficam para os planos desses anos, com recebimento realista em 2028 e 2029 (podendo ir além).
  • Tem prioridade (idoso, doença grave ou deficiência)? Você é pago primeiro dentro do seu ano, até 200 salários mínimos (cerca de R$ 303.600 em 2026). Mas prioridade numa ordem de 2028 é receber primeiro em 2028, não hoje. Não tem prioridade? É a maioria — você espera na fila comum, atrás dos prioritários do seu ano, em geral por ainda mais tempo.
  • E a espera sai cara: o precatório é corrigido por IPCA + 2% ao ano, bem abaixo da Selic. Vender é o que antecipa o dinheiro para hoje — em vez de esperar 2028, 2029 ou mais.

Se você tem um precatório do Estado de Pernambuco, a pergunta costuma ser uma só: quando vou receber? A resposta depende menos de "ter prioridade" do que a maioria imagina — e mais do ano da sua ordem e do calendário de depósito do Estado. Neste artigo explicamos, em linguagem simples e com base em documentos públicos do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o que vale para quem tem e para quem não tem prioridade — e por que, hoje, esperar custa caro.

Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo do Estado de Pernambuco, em Recife — o ente público que deve e paga os precatórios estaduais

Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco, em Recife. É o Estado quem deposita o dinheiro que paga os precatórios. Foto: J.E. Sales/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

O que mais importa: o ano da sua ordem

Todo precatório entra numa fila por ano de ordem cronológica (a "OC"). O Estado paga essa fila ano a ano, com o que deposita em cada exercício, e a regra é simples: paga-se primeiro a ordem mais antiga.

Pela fila pública do TJPE, Pernambuco ainda está quitando o atrasado das ordens de 2025 e 2026 — é o que o plano de 2026 ataca. As ordens mais recentes, de 2027 e 2028, ficam para os planos dos próprios anos. Na prática, somando o depósito (que o Estado concentra no fim do ano) e o tempo de processamento do tribunal:

  • ordem de 2025 ou 2026: recebimento ao longo de 2026–2027;
  • ordem de 2027: recebimento realista em 2028;
  • ordem de 2028: recebimento realista em 2029 — podendo ir além, se o Estado atrasar.

Por isso, antes de qualquer coisa: veja em que ano está a sua ordem. É ela que define o seu prazo — e é por isso que muitos precatórios ainda em aberto, de 2027 e 2028, têm pela frente uma espera de anos.

Você tem prioridade ou não? Os dois cenários

A prioridade (superpreferência) é garantida a quem tem 60 anos ou mais, doença grave ou deficiência. Pernambuco usa muito esse canal — a consulta pública de pagamentos do TJPE mostra que boa parte dos pagamentos de 2026 sai no valor-padrão da prioridade. Mas é preciso entender o que ela faz, e o que não faz:

  • Se você tem prioridade: é pago primeiro dentro do seu ano, até o teto de 200 salários mínimos (cerca de R$ 303.600 em 2026). O que passa do teto volta para a fila comum da sua ordem. E aqui está o ponto central: a prioridade adianta você dentro do ano da sua ordem, não para hoje. Prioridade numa ordem de 2028 é receber primeiro em 2028 — não em 2026.
  • Se você não tem prioridade (o caso da maioria dos credores): você está na fila comum, por ordem cronológica, e é pago depois dos prioritários do seu ano. Na prática, costuma significar ainda mais tempo, e dependência total do tamanho do depósito do Estado e da sua posição na fila.

Em qualquer dos dois casos, a conta começa pela mesma pergunta — em que ano está a sua ordem? A prioridade muda a sua vez dentro do ano; ela não muda o ano.

O pagamento só sai do depósito do Estado — concentrado no fim do ano

O Estado só paga precatórios com o que deposita a cada ano, numa conta administrada pelo tribunal. Em Pernambuco, o cronograma homologado pelo TJPE concentra o pagamento no fim do ano: dos R$ 472 milhões de 2026, R$ 279,4 milhões caem só em novembro e dezembro. E o levantamento — o dinheiro efetivamente na sua conta — ainda leva semanas ou meses depois do depósito, porque o tribunal precisa conferir cálculos e expedir os alvarás. Antes do depósito, não há de onde pagar — nem para quem tem prioridade.

O Estado vinha atrasando — e agora é obrigado a acelerar

Os números públicos do TJPE mostram um histórico de pagamento abaixo do necessário: entre 2021 e 2025, Pernambuco pagou todo ano algo entre 0,43% e 0,79% da sua receita com precatórios, e o estoque foi se acumulando, fechando 2025 em torno de R$ 537 milhões e 913 precatórios na fila.

A virada veio com a Emenda Constitucional 136/2025, que criou um piso anual obrigatório: o Estado passou a ter de depositar 1% da receita, o que em 2026 dá R$ 472,06 milhões78% a mais do que pagou em 2025 e quase o triplo de 2022 — com fiscalização do TJPE e sequestro de recursos como garantia (art. 100, § 6º, da Constituição).

Há, sim, expectativa real de melhora de ritmo: o Estado está obrigado a depositar bem mais do que vinha depositando. Mas é preciso ler com os pés no chão — o depósito atende primeiro a fila mais antiga (2025 e 2026) e se concentra no fim do ano. As ordens de 2027 e 2028 seguem para os planos dos próprios anos.

Infográfico da Lummen: a linha do ano de pagamento de precatórios de Pernambuco, com o depósito concentrado em novembro e dezembro, e a nota de que o crédito é corrigido por IPCA mais 2% ao ano, abaixo da Selic

Em Pernambuco, o dinheiro do ano para precatórios se concentra em novembro e dezembro — e, enquanto isso, o crédito rende abaixo da Selic. Ilustração: Lummen.

Enquanto você espera, seu precatório rende pouco

Este é o ponto que pesa no bolso. Antes da EC 136/2025, o precatório atrasado era corrigido pela Selic, que acompanhava razoavelmente o custo do dinheiro. Agora não é mais assim:

  • Até a data-limite de pagamento da sua ordem, o valor é corrigido só pela inflação (IPCA), sem juros.
  • Se o pagamento atrasa além disso, passa a ser IPCA mais juros simples de 2% ao ano — ou a Selic, o que for menor.

Como o IPCA + 2% fica abaixo da Selic, é ele que vale. Pelas projeções de mercado (Boletim Focus, do Banco Central), o IPCA roda perto de 3,5% ao ano — então o seu precatório cresce a algo em torno de 5,5% ao ano, enquanto a Selic, que remunera uma aplicação simples e líquida, está bem acima disso. A diferença entre as duas é, na prática, o custo de esperar — e ele não volta.

Vender é o que antecipa o dinheiro para hoje

Junte as três peças: se a sua ordem é de 2027 ou 2028, o recebimento realista é 2028–2029 (ou além); a prioridade, se você tiver, só te adianta dentro desse ano; e, enquanto isso, o crédito rende abaixo da Selic. É essa combinação que faz muita gente comparar esperar com vender.

  • Confirme em que ano está a sua ordem e, se for o caso, se a sua prioridade já está reconhecida no processo. É isso que define o prazo realista.
  • Compare com números reais. Se o dinheiro faz falta — ou se você poderia aplicá-lo a uma taxa melhor que IPCA + 2% —, vale comparar, com calma, o que se ganha esperando até 2028 ou 2029 e o que se ganha recebendo hoje.
  • Vender antecipa. A venda transforma um crédito que só vira dinheiro em 2028 ou 2029 — e que, até lá, rende abaixo da Selic — em caixa agora. O preço é um desconto sobre o valor de face, que reflete justamente esse prazo e esse risco.
  • Desconfie de promessas. Ninguém — nem comprador, nem advogado — controla a data do depósito do Estado. Propostas que "garantem" pagamento rápido pelo valor cheio merecem desconfiança.

Perguntas frequentes

Em que ano vou receber meu precatório de Pernambuco?

Depende do ano da sua ordem cronológica. As de 2025 e 2026 estão sendo pagas agora (recebimento ao longo de 2026–2027); a de 2027 tem recebimento realista em 2028; a de 2028, em 2029 — podendo ir além se o Estado atrasar. Veja o ano da sua ordem no processo: é o que mais define o prazo.

Tenho prioridade. Vou receber logo?

Você é pago primeiro dentro do seu ano, mas com teto de 200 salários mínimos (cerca de R$ 303.600 em 2026) e só depois do depósito do Estado (que em Pernambuco se concentra em novembro e dezembro). E a prioridade vale dentro do ano da sua ordem: se a ordem é de 2028, a prioridade é receber primeiro em 2028, não hoje.

Não tenho prioridade. Muda alguma coisa?

Muda para pior, em prazo. Sem prioridade, você fica na fila comum por ordem cronológica e é pago depois dos credores prioritários do seu ano. Na prática, costuma ser uma espera ainda maior, totalmente dependente do depósito do Estado e da sua posição na fila.

Meu precatório continua rendendo enquanto eu espero?

Sim, mas pouco. Até a data-limite da sua ordem, a correção é só pela inflação (IPCA), sem juros. Depois, é IPCA mais 2% ao ano — ou a Selic, o que for menor. Como o IPCA + 2% fica abaixo da Selic, é ele que vale, bem abaixo do que renderia uma aplicação simples.

Vale a pena vender meu precatório de Pernambuco?

Depende da sua necessidade de caixa e do horizonte de espera. Se a sua ordem é de 2027 ou 2028, você está olhando para 2028–2029, com o crédito rendendo abaixo da Selic até lá — e vender antecipa esse dinheiro para hoje. A venda envolve um desconto sobre o valor de face, que reflete prazo e risco. O melhor é decidir com os números reais na mesa, não com base em promessas.

Fontes oficiais


Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui aconselhamento jurídico ou financeiro individual. Os prazos citados são projeções baseadas em documentos públicos disponíveis até a data de atualização e podem mudar conforme decisões do Estado de Pernambuco e do TJPE.

Leonard da Rosa, Diretor Executivo de Negócios Financeiros e Tecnologia na Lummen

Assinado por

Leonard da Rosa

Diretor Executivo de Negócios Financeiros e Tecnologia na Lummen

MBA Executivo em Finanças pelo Insper, lidera na Lummen a modelagem financeira e a arquitetura tecnológica aplicadas a operações com ativos judiciais. Atua no desenho de sistemas e processos que ampliam rigor analítico, escala e previsibilidade na gestão desses ativos.

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