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Publicado em: 24/04/2026

Atualizado em: 24/04/2026

Acordo direto de precatórios na PMSP: a EC 136/2025 rebaixou o preço, não a tese

Acordo direto da PMSP depois da EC 136/2025: fila do Edital 01/2025, concentração em OC 2025 e preço máximo técnico para 25% e 30% a.a. em 36 e 48 meses.

Por Leonard da Rosa

Leitura rápida

  • Estoque vivo da PMSP e agrupadas no TJSP em R$ 40,50 bi e RCL 2025 de R$ 100,65 bi. Razão estoque/RCL em 40,24% enquadra a capital na faixa de 2,5% da RCL da EC 136/2025.
  • Piso anual implícito para 2026 de R$ 2,516 bi. Com 50% para a conta de acordos, o canal teórico anual fica em R$ 1,258 bi37% abaixo da Conta II observada em 2025.
  • Edital 01/2025 com 8.781 propostas (recorde histórico). Até 23/04/2026, foram publicados 5.333 deferimentos, com o lote de alimentares prioridade da OC 2025 (961 deferidas) saindo em 23/04. Falta o lote final de OC 2025 sem prioridade e outras espécies.
  • Esteira de pagamento ativa: 1.575 pagamentos de acordo identificados no TJSP em março e abril de 2026. No cruzamento com os lotes deferidos, 249 registros já aparecem pagos; o maior bloco é o lote de 13/03/2026, com 138 registros levantados até 23/04.
  • Com 40% de deságio como base firme de originação e 36 meses até o levantamento como caso-base, o preço máximo técnico para OC 2025 e anteriores fica em 36,6% do face atual a 25% a.a. e 32,5% a 30% a.a. O quadrante 30% a.a. × 48 meses zera, na prática, a originação possível.
  • A ADI 7873 segue no STF e, no entendimento da casa, tende a produzir opcionalidade favorável a credores — e a cessionários — dentro da janela típica de carrego desta tese.

A pergunta depois da EC 136/2025 não é se o acordo direto da PMSP segue comprável. É a que preço.

Enquadramento na EC 136/2025

O estoque vivo da Prefeitura e agrupadas no TJSP fechou em R$ 40.500.784.490,33 em 28/02/2026. A RCL 2025 do Siconfi somou R$ 100.652.954.891,44. A razão estoque/RCL em 40,24% coloca a capital na faixa do art. 100, § 23, da EC 136/2025 de 2,5% da RCL, o que implica piso anual de depósito de R$ 2,516 bi para 2026.

IndicadorValor
Estoque TJSP, PMSP e agrupadas, 28/02/2026R$ 40.500.784.490,33
RCL 2025, SiconfiR$ 100.652.954.891,44
Estoque / RCL40,24%
Faixa EC 136/20252,5% da RCL
Piso anual 2026R$ 2.516.323.872,29
Canal teórico anual para acordo (50% do piso)R$ 1.258.161.936,14

Em 2025, o depósito total da PMSP no TJSP foi de R$ 4,042 bi, dos quais R$ 2,005 bi entraram na Conta II. O canal teórico de acordo de 2026 (R$ 1,258 bi) fica 37,24% abaixo do que a Conta II efetivamente recebeu em 2025. O ritmo anualizado de janeiro e fevereiro de 2026 ficou em R$ 2,67 bi, praticamente encostado no novo piso total.

Canal anual de acordo da PMSP em 2026 versus Conta II de 2025

Edital 01/2025: fila maior, análise ainda inacabada

A PGM-SP registrou 8.781 propostas no Edital 01/2025, contra 6.854 em 2024, 3.809 em 2023 e 3.153 em 2022. O item 6.1 do edital separa a análise em três blocos:

  • OCs 2009 e 2010, em lotes próprios;
  • OCs 2011 a 2024, por mês de apresentação, com lote de alimentares prioridade e lote de alimentares sem prioridade mais outras espécies;
  • OC 2025, ao final, em dois lotes próprios (prioridade e sem prioridade mais outras).

Até 23/04/2026, a sequência pública somava 5.333 deferimentos. O último ato foi justamente o lote de alimentares prioridade da OC 2025 (961 deferidas). Resta publicar o segundo lote da OC 2025.

Bloco publicadoOrdens deferidas
OC 2009/2010 (20/08, 28/08 e 16/10/2025)218
Junho, prioridade e sem prioridade/outras1.220
Julho, prioridade e sem prioridade/outras902
Agosto, prioridade e sem prioridade/outras2.032
OC 2025, alimentares prioridade (23/04/2026)961
Total publicado5.333

Fila do Edital 01/2025 da PMSP em 23/04/2026

Entre as 8.781 propostas apresentadas e os 5.333 deferimentos já publicados sobram 3.448 propostas ainda sem destino público. Parte vai virar indeferimento, duplicidade, recurso ou ajuste. O que permanecer mora no lote final — OC 2025 sem prioridade e outras espécies —, que concentra a massa economicamente mais sensível da próxima janela.

A esteira de pagamento está operando

Nas consultas de Pagamento de Acordo do TJSP para março e abril de 2026 foram extraídos 1.575 registros (887 em março e 688 em abril). No cruzamento por processo DEPRE/CNJ contra os lotes deferidos do Edital 01/2025, 249 registros pagos já aparecem nos lotes publicados. O maior bloco é o de alimentares sem prioridade e outras espécies de agosto, deferido em 13/03/2026: 138 registros levantados até 23/04.

A infraestrutura transforma proposta em pagamento dentro da janela esperada. A variável de underwriting, portanto, não é risco binário de receber ou não; é prazo efetivo até levantamento.

Concentração da próxima janela em OC 2025 e 2026

O estoque vivo por ordem cronológica mostra por que o próximo ciclo deve chegar disputado:

OrdemEstoque vivo
OC 2024R$ 4,07 bi
OC 2025R$ 5,41 bi
OC 2026R$ 8,51 bi
OC 2024 a 2026R$ 17,99 bi

OC 2025 sozinha carrega R$ 5,41 bi de estoque vivo; OC 2026 já aparece em R$ 8,51 bi, sendo R$ 7,81 bi alimentar — valor próximo dos R$ 8,45 bi expedidos em 2025 no mapa anual, reflexo de que praticamente nada de OC 2026 foi pago. Na abertura do próximo edital, é razoável esperar oferta relevante de créditos originados em 2025 e 2026, inclusive por estruturas profissionais. A tese hoje defensável é OC 2025 e anteriores, precificada para 36 meses como caso-base — é ali que a esteira do TJSP está entregando e onde a fila do Edital 01/2025 já está vencida.

Preço de compra

Premissas do exercício:

  • compra em abril de 2026;
  • atualização do crédito pela regra da EC 136/2025: IPCA composto e juros moratórios de 2% a.a. simples;
  • curva de IPCA pela mediana Focus/Bacen, data-base 17/04/2026;
  • 60% do valor atualizado como pagamento no acordo. Esta é a base firme de underwriting: o Edital 01/2025 paga proporção maior em blocos mais antigos, mas a disciplina de originação não precifica pela regra eventualmente mais benévola — editais futuros podem uniformizar o deságio em 40% para todas as OCs;
  • meta líquida de impostos, custos jurídicos, operacionais e de estrutura.

O caso-base é 36 meses até o levantamento. 48 meses é tail, não cenário central — especialmente para OC 2025 e anteriores, cuja esteira já está rodando dentro da janela esperada no TJSP. O horizonte mais duro é mantido na matriz como referência de estresse, não como régua de compra.

Preço máximo técnico, OC 2025 e anteriores, em % do face atual:

Prazo / Meta25% a.a.30% a.a.
36 meses (caso-base)36,6%32,5%
48 meses (tail)30,9%26,4%

Matriz de preço máximo técnico para OC 2025 e anteriores

Em reais, para R$ 10.000.000,00 de face em abril/2026:

Prazo / Meta25% a.a.30% a.a.
36 meses (caso-base)R$ 3.661.000R$ 3.255.000
48 meses (tail)R$ 3.089.000R$ 2.640.000

Upside de prazo: o que muda se o carrego encurtar

O caso-base de 36 meses é o patamar de underwriting, mas há dois vetores realistas de encurtamento que jogam o retorno efetivo acima da meta contratada na entrada:

  • Decisão do STF na ADI 7873 durante a janela de carrego pode reabrir o fluxo anual da EC 136/2025 e comprimir a fila, reduzindo o prazo efetivo de pagamento;
  • Originação cirúrgica de OCs 2025 e anteriores que tendem a entrar no início da fila de um possível novo edital no final de 2026 ou início de 2027, naturalmente encurtando o levantamento para 24 a 30 meses.

Para quem compra em abril/2026 ao preço de caso-base (36m) e o levantamento de fato ocorre em 30 ou 24 meses, o retorno efetivo fica assim:

Entrada (caso-base 36m)Levantamento em 30 mesesLevantamento em 24 meses
25% a.a. (preço 36,6% do face)29,3% a.a.36,0% a.a.
30% a.a. (preço 32,5% do face)35,5% a.a.44,3% a.a.

O ganho se captura porque a atualização do crédito pela EC 136/2025 segue correndo: o excesso entre o que o ativo acumula e o retorno contratado fica com o comprador quando o prazo encurta.

Nota de originação

O quadrante 30% a.a. × 48 meses — R$ 2,64 mi por R$ 10 mi de face — pode originar, mas não em volume relevante. O preço fica abaixo do que o mercado de balcão paga hoje para créditos de OC recente, então a oferta disponível se restringe a situações pontuais de pressa por liquidez. Para um veículo que precisa construir posição material, precificar 30% a.a. como se fosse 48 meses tira a tese do canal ativo de originação.

O corredor líquido, em OC 2025 e anteriores, fica entre 32,5% e 36,6% do face — meta de 25% a 30% a.a. no prazo de 36 meses. Fora dele, ou se carrega com upside jurídico já contratado, ou se aceita um prazo mais longo, ou o fluxo de originação fica estreito demais.

ADI 7873: opcionalidade provável durante o carrego

No entendimento da casa, é razoável esperar que, dentro da janela típica de 36 meses desta tese, o STF produza alguma recomposição da EC 136/2025 via ADI 7873. O histórico do tribunal em precatórios não é neutro: emendas mais agressivas contra credores já foram recalibradas em ciclos anteriores, e a combinação de ação direta em curso, peso institucional da OAB e o simbolismo político do tema da dívida pública empurram para algum nível de limitação.

Para o cessionário, a mecânica é direta: a opcionalidade jurídica segue o crédito. Se o STF redefinir faixas, vinculações ou o próprio piso da EC 136/2025, o mark-to-market do ativo melhora e o prazo esperado encurta — e o comprador captura o ganho da mesma forma que o credor originário.

A disciplina sugerida, portanto, é não pagar pela probabilidade jurídica na entrada, mas contratá-la como upside esperado durante o prazo. Sinalização mais firme do STF tende a vir após as eleições de 2026, com espaço para decisões relevantes antes do fim do horizonte de 36 meses do caso-base.

Fechamento

A EC 136/2025 não derrubou a tese de acordo direto da PMSP; rebaixou o preço que ela suporta. Canal teórico anual de R$ 1,258 bi, fila de 8.781 propostas com lote final pendente, concentração crescente em OC 2025 e 2026 e esteira do TJSP entregando dentro da janela desenham uma tese comprável em OC 2025 e anteriores, no caso-base de 36 meses, com deságio firme de 40%. O corredor útil fica entre 32,5% e 36,6% do face atual — 30% a 25% a.a. A opcionalidade da ADI 7873 viaja junto com o crédito e tende a reforçar a equação dentro do horizonte de carrego.

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Fontes primárias

Lummen

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Leonard da Rosa, Diretor Executivo de Negócios Financeiros e Tecnologia na Lummen

Assinado por

Leonard da Rosa

Diretor Executivo de Negócios Financeiros e Tecnologia na Lummen

MBA Executivo em Finanças pelo Insper, lidera na Lummen a modelagem financeira e a arquitetura tecnológica aplicadas a operações com ativos judiciais. Atua no desenho de sistemas e processos que ampliam rigor analítico, escala e previsibilidade na gestão desses ativos.

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